Israel suspende relações com o secretário-geral da ONU

Israel suspende relações com o secretário-geral da ONU

O embaixador de Israel na ONU anunciou a suspensão das relações com o secretário-geral da organização, aparentemente devido à decisão de António Guterres, ainda não tornada pública, de inscrever aquele país do Médio Oriente numa 'lista negra' de responsáveis por violência sexual em conflitos.

Sérgio Alexandre /
Reuters

"Terminámos com esse secretário-geral", declarou o embaixador Danny Danon numa mensagem em vídeo publicada na rede X. Posteriormente a esta declaração, a missão israelita [nas Nações Unidas] esclareceu que a expressão significa o "congelamento" das relações com o gabinete do secretário-geral da ONU até o final do mandato do português, em 31 de dezembro deste ano.

Num primeiro comentário à decisão israelita, Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, afirmou laconicamente à Agência France-Presse que “do nosso lado, as portas do secretário-geral continuam abertas”.

A tensão entre Israel e a atual liderança das Nações Unidas agudizou-se a partir de 7 de outubro de 2023, na sequência do ataque sem precedentes lançado pelo Hamas, que serviu de rastilho para a guerra na Faixa de Gaza.

Os responsáveis hebraicos censuram a alta hierarquia da ONU devido às severas críticas que recebem desde então pela ofensiva militar naquele enclave palestiniano. Em 2024, o governo de Telavive declarou António Guterres “persona non grata” em Israel.

“É escandalosa a decisão de incluir Israel na lista negra e de nos acusar de utilizarmos a violência sexual como arma de guerra”, insurgiu-se o embaixador Danny Danon no vídeo que publicou hoje no X, acusando ainda Guterres de colocar Israel e o Hamas “ao mesmo nível”.

O embaixador referia-se ao resultado de um relatório sobre as ligações entre violência sexual e cenários de guerra, ainda não divulgado publicamente, mas já apresentado previamente aos Estados implicados.

No ano passado, uma averiguação similar aventava já a probabilidade de Israel ser incluído na lista, de que o Hamas também faz parte. À data, a ONU invocava “informação fidedigna” segundo a qual as forças israelitas cometiam abusos sexuais sobre detidos palestinianos, suspeitas agravadas pela recusa de acesso dos inspetores da organização multinacional aos centros de detenção.

PUB